Depois de um pouco mais de 25 anos de trabalho especificamente com áudio, fiz praticamente de tudo, desde editar fitas de ¼ com gilete até as mais modernas técnicas de masterização, migrei do analógico para o digital muito cedo quando o digital ainda não era uma opção para os grandes estúdios. Primeiro vieram os ADAT’s, por volta de 1989, uma opção mais barata que você configurava de 8 em 8 canais, de acordo com a precisão ou com o bolso. Foi ai que o mercado começou a abrir as portas para os estúdios de pequeno porte que existiam em pequeno número, os ADAT’s permitiram que outras pessoas se aventurassem a montar novos estúdios, alguns até com infra-estrutura de estúdios de grande porte, mas gravando em ADAT’s, o que rapidamente obrigou os grandes estúdios a adquirirem também alguns ADAT’s para poder atingir também esse novo mercado, mas os grandes estúdios nunca se renderam a essa tecnologia.Pouco depois dos ADAT’s chega a hora do Pro tools, outra tecnologia que os grandes estúdios relutaram muito a aderir, mas também por uma tendência de mercado tiveram que reconsiderar e hoje a maioria deles usam o Pro tools como primeira opção de trabalho.
Usei várias plataformas: Sonic Solutions, Radar (Otari), ADAT’s, DA88, R-1 (Euphonix), até me entregar de vez ao Pro tools, me apaixonei por essa plataforma, pois além de ouvir com uma qualidade diferenciada, também poderia visualizar as edições, usar plug-ins e me livrar de vez dos “chiados” das máquinas de efeitos analógicos.
A primeira instância pensei: puxa vida agora ninguém mais me segura, e da mesma forma o mercado pensou e agiu; todo mundo saiu comprando um computador, 1 ou 2 mic’s, um par de monitores e pronto, já estava com seu Home Studio montado, então não precisariam mais dos grandes estúdios.
A cerca de 3 anos venho acompanhando muito a qualidade da nossa música, conseqüentemente a qualidade sonora das produções, comecei a ficar meio nostálgico ao relembrar tantos trabalhos realizados com uma qualidade diferente, diria até superior, o que aconteceu? Me perguntei, comecei a analisar muitos trabalhos e percebi que a arte da gravação virou praticamente coisa do passado, o cuidado com questões como a acústica, posicionamento de microfones e até mesmo a postura em relação ao respeito com o equipamento, é isso mesmo, respeito com o equipamento (que hoje não conta mais). Lá atrás tínhamos que ser cuidadosos com os equipamentos, pois dependíamos muito do eletro-eletrônico, componentes importados de difícil acesso, os mic’s eram muito caros e mais sensíveis a temperatura dos ambientes, umidade e etc. Hoje você encontra bons mic’s que custam bem menos que os mais antigos, por isso pensam: “se quebrar compro outro”.
Os computadores hoje são praticamente 80% do equipamento de gravação, até em shoppingcenter’s você encontra peças de reposição, ou seja, o mercado de estúdios praticamente não existe mais, longe de mim querer fazer uma comparação entre o analógico e o digital, mas sim levantar questões sobre o uso de ambos e o que cada um contribui para o melhor resultado final. Logicamente existem pessoas muito sérias e competentes e é com vocês que quero compartilhar minhas experiências e quem sabe, trocando idéias possamos contribuir para que a qualidade da “arte de gravação e mixagem” seja cada dia mais tratada com muito mais respeito e cuidado, para que a nossa música brasileira, que é tão respeitada lá fora, seja também respeitada pela qualidade e que isso seja mais um diferencial nosso, o som puramente brasileiro.
2 comentários:
Parabéns pelo blog Luca e que Deus conceda todos os desejos do teu coração.mais sucesso pra você.grande abraço do amigo e compositor Cleyton Barreto.
Uma amizade de 30 anos! Nestes 25 anos o Luca agregou profissionalismo, competência, criatividade. Olhar seu histórico e observar os outros grandes profissionais com quem ele já trabalhou dão a dimensão do nível de seriedade do seu trabalho!
Meu querido amigo, Sucessos cada vez mais pra você!
Teu mano Octávio
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